Acompanho a história do Brasil, com atenção, nos últimos 50 anos. Por isso, e principalmente pelo que vejo na história mais recente do país, só posso imaginar que Lina Vieira foi demitida porque não se deixou controlar, não porque não tenha controlado a Receita. É lamentável a demissão. Mas, como dizia Caetano, "isto aqui, ô ô, é um pouquinho de Brasil iá iá". Portanto, em tese nada a se estranhar.
Na maioria das estórias policiais o culpado pelo crime é [quase] sempre o mordomo.
Ao contrário da filha Roseana, que tem mordomo pago pelo Zé Povinho, Sarney não conta pelo menos com esse tipo de serviçal. Portanto não tem a quem culpar de pronto. Só pode ser por isso que cada vez que é pego com a mão na cumbuca, o presidente do Senado culpa alguém.
Aliás, Sarney dá a impressão que nada tem a ver com a fundação que mama em tetas de estatal. Parece até que ele foi surpreendido com o seu nome dado àquela fundação.
Mas existe um culpado de tudo: os eleitores de Sarney. Quem o levou ao Senado, quem ali o fez presidente.
E eu, humilde contribuinte, pago por essa culpa, por esse pecado original que jamais cometi.
A imagem do mordomo é do site da Terpins Greco Estúdio. A outra imagem é a tela de Michelangelo sobre o Pecado Original.
Lamentavelmente a quase totalidade dos brasileiros não pode aceitar a sugestão do leitor Maurício Neri da Silva, publicada no dia 08/7 no Painel do Leitor do jornal Folha de S.Paulo. Se omitirem dados em suas declarações anuais de renda, cairão na "malha fina", o que seria justo, e, como pessoas normais, não poderão usar como desculpa as mesmas explicações dadas pelo Sarney. Ele pode porque não é, segundo Lula, um cara comum. Pensando bem, por tudo o que aprontou e já que nada lhe aconteceu, o Sarney é que o cara.
Eis, na íntegra, a sugestão do leitor: "Sugiro a todos os cidadãos brasileiros que omitam, em suas declarações anuais de renda, veículos, terrenos, apartamentos, investimentos e outros patrimônios. Ao cair na "malha fina" e ter de dar explicações, basta fazer como José Sarney: dizer que foi apenas um "erro" e está tudo certo."
Com Sarney na presidência, como um eterno comandante da casa, o Senado parece ter criado um novo programa social, o "Embolsa com a Família". Te cuida, Luiz Ignácio.
Juntando o artigo "Um modo novo de encher a barriga", de Ferreira Gullar, publicado no último dia 5/7 no caderno Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo, com a matéria publicada no dia 7/7 no caderno Ciência, do mesmo jornal, que mostra que a abundância de comida associada a um baixo gasto de energia fez o tamanho dos dinossauros evoluir, fiquei a pensar se Lula não estaria criando um novo Parque Jurássico com o seu Bolsa Família.
Wellington Salgado (PMDB/MG), o suplente de senador que assumiu o cargo, ao falar para a Folha de S. Paulo sobre a pulverização das mazelas envolvendo o Senado, afirmou: "O mais puro ali tem 4 mil pecados". O engraçado é que ele não disse "O mais puro ali, tenho 4 mil pecados". Trata-se, mais uma vez, de um dos mais rotos falando dos esfarrapados. E todos aqueles senhores senadores convencidos de que representam de fato o povo. Valha-me Deus.
Em tom de evidente reclamação, o presidente Lula assumiu que a máquina de fiscalização do Estado é muito mais eficiente que a da execução.
Ao invés de querer a perda da qualidade da primeira, Lula deveria buscar melhorar a segunda.
A sua máquina de executar cresceu, tem muito mais gente que no governo anterior. É hora de exigir que ela tenha a qualidade pela qual pagamos com tantos impostos.
“Sarney tem algo que não agrada ao imediatismo da crítica popular. Quer fazer tudo dentro da lei porque a lei é a razão isenta de paixão.”
Frase de Saulo Ramos, advogado, ex-consultor-geral da República e ex-ministro da Justiça (adivinhe no governo de quem!), autor do livro “Código da Vida”, em um patético artigo publicado hoje na Folha de S. Paulo, onde faz a defesa daquele que foi presidente do Brasil por acaso e que agora está atolado em denúncias. A afirmativa do jurista me deixou intrigado. Por que então Sarney não faz as coisas dentro da lei, já que é esta a sua vontade? O que o impede de fazê-lo. Afinal, não é legal esconder da Justiça Eleitoral uma casa avaliada em alguns milhões de reais. Ou seria legal receber, do Senado, auxílio moradia quando se tem uma casa em Brasília, além da residência oficial de Presidente daquela casa? Também não deve ser legal uma fundação [adivinha de quem!] desviar dinheiro repassado pela Petrobrás. Sei que o Ribamar poderá dizer que tudo isso foi apenas irregularidade. Mas para quem tão desejoso de fazer tudo dentro da lei, a irregularidade não deve ser coisa aceita.
Segundo notícia do Painel da Folha de S. Paulo, Renan Calheiros disse em plenário que o início da CPI da Petrobras dependerá da "oportunidade da construção política da instalação". Quem ouviu o senador peemedebista entendeu que, a depender dele, a CPI estaria sendo instalada no "Dia de São Nunca". Mas o Dia de São Nunca existe. É o 1o de novembro, Dia de Todos os Santos. Parece que o nobre senador não atentou para isso. Nem a oposição.
Sempre ouvi dizer que o poder inebria, cega. Alguns casos mais recentes na história do Brasil mostram que o poder provoca ainda o desconhecimento, a ignorância. E até tira a inteligência. Lula, quando viu a enrascada do seu PT com o mensalão e os aloprados, que tentaram comprar um dossiê com denúncias contra políticos tucanos, disse que nada sabia. O não saber foi também alegado por José Sarney quando viu a si mesmo e a família [netos, sobrinhos] pegos com a mão na cumbuca no Senado. Creio que são ambos, Lula e Sarney, provas vivas de que o poder leva à ignorância. A prova da perda da inteligência provocada pelo poder, ou pela vontade de tê-lo ainda mais, foi dada pela ministra Dilma Roussef. Eu a tenho na conta de pessoa de altíssima inteligência. Mas foi patético vê-la fazer a defesa de Sarney e sua troupe usando a argumentação de que o DEM, ex-PFL, que comandou a Primeira Secretaria da Mesa do Senado nos últimos tempos, é quem teria sido responsável pelas mazelas recém-reveladas na mais importante casa de representantes do povo, como consta de matéria publicada pela Folha de S.Paulo. Abdicou-se da inteligência em troca de um possível apoio futuro em uma candidatura ao poder máximo do país. O que os democratas ganhariam ao empregar netos, sobrinhos e outras pessoas ligadas ao clã do Sarney? O que os democratas tirariam como vantagem ao permitir a uma viúva do motorista do "eterno" presidente e "dono de capitania hereditária do Maranhão", ainda que senador pelo Amapá [Por que será?] ocupar apartamento em prédio destinado à moradia funcional de senadores? O que lucraria a turma do "ex e prá sempre" PFL ao mandar pagar auxílio moradia ao Zé do Sarney, quando ele dois lugares para morar em Brasília: residência [e bota residência nisso] particular em Brasília e uma oficial, por conta de ser presidente do Senado? Confesso que minha inteligência não me permite encontrar respostas para tais perguntas. Pelo visto não tenho inteligência, nem poder. Mas tenho memória. E sempre a uso quando tenho que, a contragosto, visitar a cada dois uma urna eleitoral.
E tem gente que acha que por serem presidiários são pessoas frias, desprovidas de sentimentos. Quem é assim não faz homenagem como esta que 1.500 presidiários das Filipinas, em Cebu, prestaram a Michael Jackson. Foram apenas 10 horas entre a notícia da morte do Rei do Pop e este, porque não dizer, espetáculo.
No último sábado comprei uma nova máquina de lavar roupa. Não porque aproveitava descontos, ofertas do momento. É que a daqui de casa estragou e consertá-la custaria ao menos metade do preço de uma nova. Relação custo/benefício analisada, saí para a troca. Vai-se a máquina velha, vai meu dinheiro, mas fico com uma máquina nova, com algum tempo de garantia. Nas lojas vi o que leio, em jornais, e ouço, na tv e no rádio. Os brasileiros estão indo à compra de produtos da chamada linha branca por causa da redução do IPI, que deve ser prorrogada pelo Governo. Querem todos aproveitar o desconto. É o mesmo que vem acontecendo no caso do carro zero. Contudo, hoje leio, na Folha de S. Paulo, a matéria "Varejo e indústria não repassam corte do IPI". Segundo dados mostrados no jornal, embora o IPI de máquina de lavar tenha sido reduzido à metade, de 20% para 10%, a variação dos preços aos consumidores não passou de 4,62%. Parece que tem muito brasileiro sendo enganado e saindo à compras para aproveitar um desconto que praticamente é nada frente à renúncia fiscal. Vejo a indústria e o varejo criando a "máquina de LEVAR vantagem". Na renúncia fiscal, ajeitam-se para aumentar seus lucros. E essa vantagem que levam é paga por todo brasileiro, tenha ele comprado, como foi o meu caso, ou não produtos da linha branca.
A Folha não me publica mais. Então, eu me publico, sem ter a pretensão de sder jornalista "adiplomado".
Essas são as cartas enviadas nos últimos dias.
Senhor editor
Sarney, envolvido em escândalo após escândalo, afirma que não renunciará à presidência do Senado, que irá até o fim.
Mas, temos que convir, aquele discurso dele, ontem em plenário, foi o fim. Então, já é hora dele sair.
Atenciosamente
Simão Pedro Marinho
Belo Horizonte, 17 de junho de 2009 Senhor Editor
para Lula, desmatadores não são bandidos; devem ser aloprados. Da mesma forma que, para o presidente da República, deve ser um aloprado o senador que, com tantos anos de vida pública e tantos poderes, transforma uma casa de Mãe Joana em casa de Pai José.
Atenciosamente
Simão Pedro Marinho
Belo Horizonte, 20 de junho de 2009 Senhor Editor
com relação à carta de Leonardo Silva Dias, hoje no Painel do Leitor, é por demais sabido que, no Brasil, técnico de futebol é o mordomo, que, ao final, acaba sendo considerado culpado pelo crime. E alguns técnicos e mordomos sendo regiamente pagos.
Crime "resolvido", retoma-se a vida, com novo "mordomo". Caso um novo "crime" venha a acontecer, o futuro culpado já está lá.
além de ocultar o ilícito, o indevido, a pilhagem do recurso público, o escambo, haveria razão para uma casa de representantes do povo ter atos secretos?