Pensamento em nós ...
"inclinado nas tardes atiro minhas redes tristes em teus olhos oceânicos”.
Esta lírica frase é de Pablo Neruda, em seu livro "Vinte poemas de amor e uma canção desesperada". E é interessante lembrar como cheguei a ela para essa postagem. Como sempre comento com meus alunos, o hipertexto, tão em moda, está em nós, humanos, em toda a existência da espécie. Pensamos por links, pensamos por associações. Ontem soube da morte do ator francês Philippe Noiret, que atuou no filme "O Carteiro e o Poeta", de 1994, do diretor Michael Radford.
Noiret fez o papel de Pablo Neruda no filme que se baseou no livro de Antonio Skármeta, poeta e escritor chileno. cujo título original é "Ardiente Paciencia". Esse livro teve, no Brasil, o mesmo título que aqui foi dado ao filme. O título original do filme é Il Postino. No último sábado, em reunião do grupo de pais do colégio de meu filho, o livro "O Carteiro e o Poeta" esteve entre os assuntos. É que neste ano letrivo os alunos da 8a série tiveram que ler esse livro e houve uma gritaria de algumas mães, notadamente, contra a sua indicação. A reclamação era contra as descrições de atos sexuais com palavras ou expressões chulas - diria alguém - que o livro traz. Se olharmos bem, são coisas que nossos filhos sabem [apesar de até poderem fingir que não] e palavras - ou palavrões - que conhecem, apesar de alguns pais quererem acreditar que não. Um dos pais presentes na última reunião comentou ter visto o filme e que, em visita ao Chile com os filhos, os levou para visitarem a casa de Pablo Neruda.
Voltando à hipertextualidade, reconstruo meus nós de pensamento [mas sei que muitas vezes temos nós no penssamento]:
Morte de Phillipe Noiret -> filme o "Carteiro e o Poeta" -> reunião de pais -> livro "Carteiro e o Poeta" -> comentário viagem de pai e aluno -> Neruda -> livro -> a frase que está no alto deste post.
Simples. Sim, porque, afinal, pensar é coisa simples.
Escrito por Simão Pedro às 07h18
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Minha carta publicada hoje na Folha de São Paulo
Salários
"Anteontem, pela Folha, soube que os membros do Conselho Nacional de Justiça querem 24% de aumento. No mesmo dia, fui informado pelo UOL que a base governista derrubou o reajuste de 17% de aposentadorias e pensões para quem ganha acima de um salário mínimo.
Ontem, na Folha, encontrei a notícia de que os deputados querem 30% de aumento.
Eu, que me aposentei em 98 com o teto do INSS, recebo hoje uma aposentadoria que deve representar 60% do atual teto. Enquanto os poderosos querem furar o teto, eu continuo cada vez mais distante dele. E, não demora muito, estarei no piso da aposentadoria.
Esses são alguns contrastes desse país, um país que não é pobre, mas é extremamente injusto.
Numa outra coisa o Brasil também tem seus contrastes: é o contraste entre os que têm vergonha na cara e os caras-de-pau que estão no Judiciário e no Legislativo."
SIMÃO PEDRO MARINHO (Belo Horizonte, MG)
Escrito por Simão Pedro às 08h57
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