Aproxima-se o final do ano. Chega o momento das previsões - com certeza algumas óbvias - para o ano que virá. Olhando para trás, televisões, jornais e revistas trarão suas retrospetivas de 2007. Eles nos mostrarão imagens do que houve de bom e de ruim em 2007. Riremos e choraremos por conta de um tempo passado. Mas agora é também momento de fazer votos, construir sonhos que desejamos ver como realidades em 2008. Para os otimistas, 2008 certamente será um tempo novo, fantástico. Para os pessimistas, talvez só não seja pior do que os anos que se sucederão. Sempre disse que a posição mais cômoda que conheço é a do pessismista. Se tudo - ou quase - der errado, ele já estará esperando, estará preparado. O que vier de bom, seja o que for, será lucro na certa. E não é que pesquisadores que se dedicam à ciência da felicidade [é, isso existe!] mostraram, no Positive Psychology Summit realizado em Washington, USA, conforme reportado na Harvard Magazine, que somos mais felizes quando não temos expectativas? Para os pesquisadores a esperança pode ser pior que a desesperança. Triste, eu diria. Não consigo imaginar alguém desesperançado. E por isso sigo como um sujeito carregado de esperanças. Afinal, não dá para caminhar na vida sem sonhos, sem utopias. Essas pesquisas foram destacadas pelo New York Times como uma das principais inovações/idéias das ciências em 2007. E independentemente de pesquisa - ou apesar delas- espero que o Ano Novo chegue para todos como um tempo de esperanças renovadas. E que no cotidiano elas possam ir se tornando realidades e nos trazendo muitas alegrias. Afinal, penso que só viemos aqui para sermos felizes.
Às vezes paro para pensar como as pessoas - e não seria muito ousado dizer que deve ser a maioria delas - acham que bom era o mundo que se foi. Na escola sempre ouvimos coisas do tipo: "Escola boa era a do meu tempo" ou "Os alunos de antigamente é que eram bons". Parece que muitos só conhecem encontrar encantos no que passou, no que não volta mais. E isso soa como perda de tempo e de encantamento. Eu me vejo capaz de destacar coisas boas do meu passado. Mas lá no passado também ficaram coisas ruins. Afinal, o meu passado - e o de ninguém - se fez apenas com coisas boas. A vida é - e foi sempre - um sucedâneo de coisas boas e de coisas ruins. Foi assim no passado, será assim eternamente. E estou convencido de que coisas boas ainda acontecerão na minha vida. Da mesma forma que aconteceram no passado. Hoje, na Folha de São Paulo, Ruy Castro, um mineiro que nem eu - ele de Caratinga, eu de BH - escreveu um artigo fantástico, que transcrevo abaixo. No artigo, ele fala dos cariocas, sempre descontentes com a cidade dita maravilhosa, o Rio de Janeiro. Mas penso que o que ele fala vale para muita gente, sempre descontente com a própria vida.
Bom era antes
Outro dia, uma querida cantora interrompeu seu show de bossa nova para se referir ao Rio dos anos 70 como a cidade "ainda maravilhosa", em que se podia andar "de olhos fechados". Em seguida, retomou o repertório cantando "Carta do Tom", em que Jobim dizia: "Rua Nascimento Silva, 107/ Eu saio correndo do pivete/ Tentando alcançar o elevador..." Uma canção dos anos 70. Nessa época, já se via a década anterior, a de 60, como a dos "anos dourados", em que Ipanema, segundo Vinicius, "era só felicidade". Para o exigente Paulo Francis, no entanto, a decadência do Rio começara, olha só, em 1960. Bom era antes, até 1959, quando ele flanava por Copacabana com Antonio Maria e Ivan Lessa. Ali, sim, dizia Francis, o Rio era a Cidade Maravilhosa. Mas, ao pesquisar material de 1955, quando morreu Carmen Miranda, li várias entrevistas de amigos de Carmen lembrando-se de que a tinham conhecido em 1930, "quando o Rio ainda era a Cidade Maravilhosa". Quer dizer que o Rio de 1955 não era mais a Cidade Maravilhosa, e sim o de 1930? Ao recuar para 1930, vejo Di Cavalcanti, com 33 anos, queixando-se da "destruição do Rio", principalmente de Copacabana, pelos edifícios que começavam a ser construídos - justamente os palácios art déco que, um dia, iriam empolgar Paulo Francis. Para Di Cavalcanti, o Rio paradisíaco era o de sua juventude, cerca de 1915, com uma Copacabana ainda toda areal, pré-Copacabana Palace. Será? Pois, em 1915, Lima Barreto estava esbravejando contra a superurbanização da cidade, o desmonte dos morros e a inocência perdida em 1904 com o bota-abaixo do prefeito Pereira Passos. Bom era antes. E por aí vai. O carioca não se contenta nunca, e não é de hoje. Aliás, no tempo de Estácio de Sá, em 1565, o pessoal já reclamava à beça.
A imagem mais ao alto, que usei para representar o passado, encontrei no blog de Lia Araújo. A foto da antiga sala de aula é do site da paróquia de St. Joseph em Appleton, WI, USA. A foto da cidade do Rio de Janeiro é do blog jane dark's sugarhigh!. Os links no texto de Ruy Castro não constam do artigo conforme publicado na Folha.
Em pouco dias estarei viajando - num retorno - para a Itália.
Depois Suiça, minha primeira visita a esse país, e Estados Unidos,
especificamente New York. Viagem de férias - que reputo
como merecidas - com a família. A viagem à Itália é o
presente que meu filho escolheu pelos 15 anos. Suiça e Estados Unidos são
complementos escolhidos pela minha dona. Mas estarei desconectado nessa
viagem: fui proibido, pela minha dona, de levar notebook, visitar cybercafé
ou lanhouse. Serei um "unplugged man" por alguns dias. Pode ser que
seja uma fria ficar quase um mês desconectado - e me ponho a
imaginar como estarão as minhas caixas postals na volta, no final de
janeiro. Mas com certeza encontrarei muito frio no velho continente. E
achei uma linda imagem e uma citação para marcar o inverno que me
aguarda.
Amemos o inverno, porque ele é a
primavera dos gênios.
A citação é de Pietro
Aretino, pseudônimo de Francesco Accolti. Escritor, poeta e
dramaturgo, autor de "Diálogo das Prostitutas", nasceu em Arezzo [não conheço
a cidade; conheço o calçado] em 1492, ano da descoberta da América pelo
navegador genovês Cristovão Colombo, e morreu em Veneza [onde estarei novamente nessa viagem de
férias] em 1556. Não posso dizer que amo o inverno. Mas com certeza
prefiro o frio ao sol, seja ele o astro-rei, seja uma
detestável cerveja que
bebi uma só vez - era a única disponível no espetáculo do Cirque du Soleil que assisti em novembro.
No primeiro dia do Menino Jesus, logo após a Santa Noite, encontrei o link para um vídeo, disponível no YouTube, no qual a trilha sonora fica por conta de Sinéad O'Connor, cantando "Silent Night", a nossa "Noite Feliz". A todos que me honram ao visitar esse meu blog, desejo que tenham muitas noites felizes em 2008, completando dias maravilhosos.