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Cartas que a Folha não publicou sobre o caso Paula de Oliveira
Senhor Editor
Clovis Ferraz Wey Júnior cobra, no Painel do Leitor, que Celso Amorim retire imediatamente da Suiça a brasileira Paula Oliveira e seu pai. Imagino que o ministro não tenha poderes para tal. Se os tivesse, não seríamos uma democracia, com o povo tendo o direito de ir e vir. E, certamente, a única coisa que o nosso ministro das Relações Exteriores quer fazer nesse momento é desaparecer do noticiário. Afinal, afoitamente "condenou" um país pelo que seria, a princípio, um caso de polícia e agora vê ruir, por provas forenses, a fantasia criada pela jovem sabe-se lá por qual razão. Quando o próprio pai da jovem chega a admitir que ela pode ser vítima de graves distúrbios psicológicos, está dando um sinal de que ela não teria sido vítima de crime algum, principalmente o que seria o mais condenável, a morte de dois bebês que ainda eram gerados. E não se espante o leitor Clovis se de repente a jovem estiver de volta ao Brasil por ter cancelado o seu visto de permanência na Suiça. Afinal, ao denunciar um falso crime, teria sido ela quem estaria cometendo um delito.
Atenciosamente
Simão Pedro Marinho BH, 15 de fevereiro de 2009
Senhor Editor
quando o pai da advogada Paula de Oliveira disse para a Folha que, ainda que a suspeita de automutilação se confirmasse, sua filha deveria continuar sendo tratada como vítima, certamente ele já sabia da farsa.Mas seria Paula vítima de quem? Como parece ficar evidente, dela mesma. A mim preocupa a situação de brasileiros que vivem no exterior e que poderão ser vítimas de uma circunstância para a qual em nada contribuiram. Confirmada a farsa, o "garrote" contra os brasileiros lá fora - legais ou não - será mais apertado. Muitos poderão pagar por uma mentira que não criaram. E talvez nem venham a saber o motivo real que levou aquela jovem a "criar" um ato de xenofobia que jamais teria acontecido. Para tentar arrancar dinheiro do governo suiço ou garantir um casamento, não importa, Paula de Oliveira criou mais do que constrangimento para nós. Existe uma boa chance dela ter complicado a vida de muitos brasileiros no exterior. Portanto, vítimas mesmas nessa farsa serão outros, não ela. Atenciosamente Simão Pedro Marinho BH, 20 de fevereiro de 2009
Escrito por Simão Pedro às 13h55
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Contra tudo e todos
Nunca fui entusiasta do Carnaval, nem do do Rio nem do de outras cidades tidas como folionas, como Salvador e Recife. Tampouco sou entendido no assunto. Por isso mesmo, o Carnaval que melhor conheço é do Rio -o mais badalado ainda, embora discutido em suas raízes epistemológicas e na semiótica de suas propostas. Vai daí, é do Carnaval carioca que falo, abrindo a necessária ressalva: é possível que em Recife e Salvador a momesca festa esteja florescente e bela. No Rio, realmente, o Carnaval mudou tanto que ficou chato. Ainda é belo -à custa de uma superprodução cada vez mais complicada e cada vez mais financiada. Durante alguns anos, era obrigado a passar os três dias trabalhando, cobrindo folias, bailes e desfiles. A primeira constatação, que salta aos olhos, é a velhice do nosso Carnaval. São sempre as mesmas figuras, os mesmos colunáveis, os mesmos pândegos, os mesmos esquemas, sobretudo, as mesmas mulheres. Ah, as mulheres! São as mesmas, sombras e sobras de outros carnavais. Colocaram botox, cortaram quadris e coxas, fizeram lipoaspiração para manter a silhueta -temos nos arquivos profissionais as mesmas mulheres de dez, 15 anos atrás. Descobrimos o roteiro do bisturi que modificou a antiga deusa -hoje recauchutada. A própria animação é à antiga. Por isso, os jovens de hoje estão definitivamente em outra. Compreendo-os ao menos nisso: eles se afastam do inarredável tríduo momesco. Aos poucos, a festa está mesmo ficando para a meia-idade e para velhos que esperam o Carnaval para rodar a baiana. Os jovens fazem isso com naturalidade, durante o ano todo -embora em inglês e em som estereofônico, o que dá para desconfiar que também eles não estão com nada.
Coluna de Carlos Heitor Cony, publicada hoje na Folha de São Paulo. As fotos são do site da Escola Básica Integrada de Rabo de Peixe e do Photobucket.
Escrito por Simão Pedro às 13h31
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Enquanto isso, em 2010 .....
Renata Lo Prete, hoje, no Painel, da Folha de S. Paulo, informa que, enquanto Aécio Neves põe lenha na fogueira das prévias, uma parcela do PSDB estaria discutindo uma saída para o dilema de 2010: deixar o governador de Minas à vontade para cumprir a ameaça velada de abandonar o partido. Essa opção, segundo Renata, é ouvida com cada vez mais frequência em ninhos de tucanos, embora gere controvérsia mesmo entre os próprios serristas. Pois fica a dúvida. E se Aécio disputar por outra sigla? Os defensores da solução radical dão de ombros, segundo Renata. Eles não acreditam que Aécio venha a ser o candidato de Lula e nem que consiga unir o PMDB.
No máximo, imaginam que poderia vir a ser o vice de Dilma Rousseff. O interessante é que há uns quinze dias, numa infindável fila no Banco do Brasil, entabulamos uma conversa sobre Lula, governo, 2010, candidatos. Enquanto espera, papeia. Entre as pessoas um cidadão bem falante, que sugeria ser bastante enfronhado em hordas políticas e ter intimidade no Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro. Ele também se dizia sobrinho do famoso José Aparecido de Oliveira, para mim o mais dedicado dos janistas. Ele nos "avisou": Aécio sairá candidato à presidência pelo PSB, com quem já fez séria aproximação ao apoiar Márcio Lacerda na campanha, vitoriosa depois do enorme sustoe, para a prefeitura da minha Belo Horizonte. Dilma? Seria a vice de Aécio, já que sua candidatura acabaria não decolando. Quem viver, verá? Verá o "pavão" Ciro Gomes abrir mão de uma candidatura que, ao menos ele está convencido, seria natural. Principalmente verá o PT abrir mão de cabeça-de-chave. Mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha e um rico entrar no reino dos céus.
Escrito por Simão Pedro às 13h03
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