Netizen 2 - Porque o blog não pode parar


Irrecusável uma ova

Alegando não poder recusar o irrecusável, Mercadante revogou o irrevogável.
Em 2010 ele deverá pedir votos para permanecer no Senado.
Resta saber se o pedido do líder que nada lidera será visto como irrecusável por seus eleitores.



Escrito por Simão Pedro às 14h15
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Juntos, na alcova

 

Pela "governabilidade", juntos Lula, Sarney, Collor, Mercadante, Renan. A necessidade faz-nos habituar a estranhos companheiros de leito.
Shakespeare nunca foi tão atual.



Escrito por Simão Pedro às 14h11
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Colunas para ficarem na História

Eliane Cantanhêde, em sua coluna na Folha de S. Paulo, em 23.08.09

Lula engole o PT

OK, o PT "continua forte", como diz Lula, mas é preciso definir o que é ser "forte". O PMDB, por exemplo, é fortíssimo. Tem o maior número de governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores. É isso que o PT quer?
Virar um PMDB? Sua verdadeira força sempre foi outra. E faz falta. Os fins justificam os meios. Antes, valia tudo pela causa. Hoje, vale tudo pelo poder. Ao jogar fora os escrúpulos de consciência (como faziam ministros civis na ditadura) para garantir o apoio do PMDB a Dilma Rousseff, Lula pode ter não apenas humilhado e rachado o PT no Senado mas conseguido o inverso do que queria.
Senão, vejamos: Lula agarrou-se a Collor, a Renan, a Jucá, desprezou o passado, sacrificou a bandeira mais cara do PT, dividiu a bancada, enlouqueceu o líder Mercadante, empurrou Marina Silva para a campanha presidencial e levou Flávio Arns a gritar que tinha "vergonha" do partido. E salvou Sarney.
Isso enfraquece a alma do PT, mas não fortalece a aliança com o PMDB para 2010. O apoio a Dilma não depende de Sarney estar ou não na presidência do Senado, depende da força e da capacidade de vitória que ela demonstrar.
E qual foi o resultado de toda a operação de Lula pró Sarney? Desde que lançada ao vento, a candidatura Dilma nunca esteve tão fragilizada, cheia de interrogações e pressionada. O que seria uma polarização Dilma-Serra, como operava Lula, virou uma campanha sortida, com Marina empunhando a bandeira do desenvolvimento sustentável e Ciro Gomes com os mesmos índices de Dilma nas pesquisas.
A esta altura, o PMDB está menos preocupado com Sarney e mais com o que acontece, ou vai acontecer, com as chances de Dilma. Ou seja: Lula e o PT pagam um alto preço por tirar o pescoço de Sarney da guilhotina, mas podem ter afastado, em vez de ter atraído, o apoio do "forte" PMDB. Que fica com Dilma se for para ganhar e pula fora se for para perder. Simples assim.



Escrito por Simão Pedro às 13h59
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Colunas para ficarem na História

Coluna para ficar na história. Clovis Rossi, na Folha de S. Paulo, no dia 21.08.09

Do orgulho à vergonha

Durante a campanha eleitoral de 1989, esta Folha recebeu em almoço todos os principais candidatos. Menos, salvo erro de memória, Fernando Collor, no que se revelaria uma profilática premonição do jornal.
Quando já terminava o almoço com Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato do PT pousou o braço sobre os ombros de Octavio Frias de Oliveira, o "publisher", morto em 2007, e disse: "Frias, você ainda vai se orgulhar desse petezinho", como se o anfitrião fosse PT desde criancinha. Não era, claro, mas nunca escondeu seu respeito pelo que considerava padrão ético do partido.
Vinte anos depois, a profecia de Lula revela-se tão falsa como era equivocada a crença do "publisher" desta Folha. Hoje, até um petista como o senador Flávio Arns diz sentir "vergonha", não orgulho, desse "petezinho".
Aliás, "petezinho" é expressão adequada, pelo nanismo ético e moral de sua camada dirigente, que deve ter contaminado boa parte da militância, talvez toda ela, a julgar pelo silêncio ensurdecedor a respeito do espetáculo de pouca vergonha que marca o PT. De quebra, ainda há o nanismo intelectual dos acadêmicos petistas, incapazes de abrir a boca, embora um deles tenha escrito, na esteira do "mensalão", que não mais admitiria nem sequer o sumiço de um alfinete do Palácio do Planalto.
Nada disso, no entanto, surpreende. Os intelectuais petistas se masturbaram com a debiloide teoria da conspiração para explicar os pecados do partido, mesmo ante a contundente evidência de que a única conspiração era a dos fatos. O que na verdade surpreende é a surpresa do senador Arns. Deveria ter sentido "vergonha" quando a direção do seu PT foi chamada de "organização criminosa" pelo então procurador-geral da República. Tudo o que veio depois é até café com leite.



Escrito por Simão Pedro às 13h53
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